Transportar uma pedra de seis toneladas desde o nordeste da Escócia até Stonehenge equivale a mover um elefante-africano adulto por mais de 700 quilómetros, sem rodas ou animais de carga. Esta proeza de engenharia pertence à Pedra do Altar, o bloco central de arenito que é um dos maiores mistérios do monumento.

O Mapa Geológico de Stonehenge
O Mapa Geológico de Stonehenge Esta vista de planta do monumento identifica as três categorias principais de megálitos e as suas incríveis origens:
Pedras Sarsen (em cinzento): As grandes pedras verticais e lintéis que pesam em média 25 toneladas cada, oriundas de West Woods, a apenas 25 km de distância.
Pedras Azuis / Bluestones (em azul): Um grupo variado de rochas vulcânicas e arenitos vindos de Mynydd Preseli, no País de Gales, a cerca de 230 km.
Pedra do Altar (em destaque): O bloco central de 6 toneladas que, conforme revelado por esta nova investigação, percorreu a distância recorde de mais de 700 km desde a Bacia de Orcádia, no nordeste da Escócia.

Origem: a “impressão digital”geológica

Durante décadas, pensou-se que a pedra vinha de Gales. No entanto, uma equipa liderada por Anthony Clarke e Richard Bevins utilizou a datação de cristais de zircão para provar que a sua origem está na Bacia de Orcádia, na Escócia. Os testes indicam que a rocha de Sarclet, em Caithness, é a correspondência mais provável.

O método: gelo ou intervenção humana?

A investigação explorou se a natureza poderia ter ajudado. Modelos de fluxo de gelo revelam que a calote glaciária poderia ter transportado a pedra de Caithness até Dogger Bank (atualmente no fundo do mar), reduzindo a distância de transporte humano para cerca de 400 km. Contudo, como Dogger Bank foi submerso há cerca de 8.000 anos, e a pedra só chegou a Stonehenge milénios depois, a intervenção humana deliberada continua a ser a explicação mais forte para a viagem final. As rotas possíveis incluem passagens marítimas pela costa leste ou caminhos terrestres como a histórica Berkshire Ridgeway.

Significado cultural

Esta descoberta obriga a repensar a sociedade neolítica britânica. Em vez de tribos isoladas, Stonehenge revela uma Grã-Bretanha profundamente ligada, onde comunidades separadas por distâncias muito grandes colaboravam e partilhavam conhecimentos. A presença de outros artefactos escoceses no local, como uma maça de gnaisse de Lewis, reforça esta rede de contactos de longa distância.

Maça de gnaisse de Lewis?

A cabeça de maça em gnaisse de Lewis é um artefacto arqueológico encontrado em Stonehenge que serve como uma evidência adicional crucial para a teoria de que existiam ligações de longa distância na Grã-Bretanha pré-histórica

A Pedra do Altar não é apenas um monumento, é um símbolo de união social na pré-história.

Imagem de destaque: Foto de Ankit Sood na Unsplash

Autor: Prof. Nuno Nascimento

Professor de Informática e apaixonado pelo conhecimento científico.

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