Uma equipa internacional de cientistas fez uma descoberta notável graças ao Telescópio Espacial James Webb (JWST): no núcleo de uma galáxia distante foram identificadas moléculas orgânicas simples em grande quantidade, numa região até agora quase inacessível devido à densa poeira e gás que a envolvem.
Entre os compostos encontrados destacam-se benzeno, metano, acetileno, diacetileno, triacetileno e, pela primeira vez fora da Via Láctea, o radical metil. Os investigadores acreditam que estas moléculas se tenham formado sob a ação de raios‑cósmicos, partículas de alta energia que fragmentam o carbono presente nestes ambientes galácticos intensos.
Embora estas substâncias não sejam indicadoras de vida, a descoberta fornece pistas importantes sobre a forma como compostos pré‑bióticos podem surgir no Universo, mostrando que núcleos galácticos ativos funcionam como autênticas “fábricas” de química complexa.

O estudo, conduzido por Ismael García‑Bernete, Miguel Pereira‑Santaella, Eduardo González‑Alfonso, Marcelino Agúndez, Dimitra Rigopoulou, Fergus R. Donnan, Giovanna Speranza e Niranjan Thatte, foi publicado na revista Nature Astronomy a 6 de fevereiro de 2026.
O que esta descoberta significa
- O JWST confirma a sua capacidade única de observar regiões do cosmos anteriormente inacessíveis.
- A presença destas moléculas abre novas perspetivas sobre a formação de compostos orgânicos no Universo.
- Os resultados ajudam a entender melhor as etapas iniciais da química pré‑biológica, um passo essencial para compreender a origem dos elementos que mais tarde poderão dar origem à vida.
Como nota curiosa, esta pesquisa mostra que mesmo regiões escondidas e densamente preenchidas com poeira e gás podem produzir química complexa, um dado que muda a forma como entendemos a evolução química das galáxias.
Imagem James Web Telescope: https://www.jwstimages.org/jwst-images
