No estudo “Visceral adiposity index and the risk of heart failure, late‑life cardiac structure, and function in ARIC study”, uma equipa liderada por Chaoguang Xu e colegas investigou como a gordura corporal profunda, especialmente a gordura visceral, está relacionada com o risco de desenvolvimento de insuficiência cardíaca e com alterações na estrutura e função do coração ao longo de décadas.
Os investigadores usaram o Visceral Adiposity Index (VAI), um índice que combina medidas como circunferência da cintura e parâmetros metabólicos para estimar a quantidade de gordura visceral. A equipa acompanhou mais de 12 000 adultos sem doença cardíaca no início por uma média de 22,5 anos, registando quem desenvolveu insuficiência cardíaca e analisando a função cardíaca através de ecocardiografia quando disponível.
Os resultados mostraram que um VAI mais alto no início do estudo estava associado a um risco significativamente maior de insuficiência cardíaca ao longo do tempo: para cada aumento unitário no VAI, o risco de desenvolver insuficiência cardíaca aumentou cerca de 8%. Além disso, níveis mais elevados de adiposidade visceral foram ligados a alterações estruturais no ventrículo esquerdo e à função diastólica mais prejudicada em análises com ecocardiografia.
Os autores comentaram que:
Estes achados indicam que a adiposidade visceral pode ser um fator de risco modificado e avaliado para identificar indivíduos em maior risco de insuficiência cardíaca, especialmente aqueles com padrões de gordura abdominal mais pronunciados
Este estudo reforça a ideia de que a distribuição da gordura corporal importa tanto ou mais do que o peso total, e que medidas que avaliem especificamente a gordura abdominal profunda podem ser úteis na avaliação precoce de risco cardiovascular.
