Um artigo publicado em Março de 2026 na revista científica de revisão por pares da Royal Astronomical Society, analisou informações oriundas da missão Gaia e do arquivo de exoplanetas da Nasa. Foram cruzadas informações físicas e ambientais dos planetas como massa, dimensões e intensidade da radiação das estrelas, com o objectivo de identificar quais os exoplanetas melhor posicionados para albergar vida. Este estudo científico foi dirigido pela investigadora Abigail Bohl e sob a orientação da astrónoma Lisa Kaltenegger, diretora do Carl Sagan Institute da Universidade de Cornell, contando ainda com a colaboração de investigadores de várias instituições internacionais.

Dos dados recolhidos foram identificados 45 planetas rochosos na denominada “Zona habitável”, onde a temperatura permite a existência de água líquida à superfície, sendo um dos factores principais para a vida existir como a entendemos.

Sistema TRAPPIST-1, imagem NASA/JPL-Caltech

O objectivo deste estudo é o de criar uma lista de alvos para os telescópios atuais e para os que estão a ser desenvolvidos para serem utilizados de forma mais eficaz, ou seja, não serve apenas para listar planetas intrigantes, mas para direcionar observações futuras.  

Além disso, os cientistas identificaram 24 planetas que se encontram numa região mais limitada da zona habitável, onde as condições podem ser mais favoráveis, como os exoplanetas já conhecidos, como Proxima Centauri b, e os sistemas com múltiplos planetas habitáveis, como TRAPPIST-1, todos localizados na Via Láctea.

A cientista Lisa Kaltenegger destacou o valor desta abordagem, referindo que o aumento dos exoplanetas descobertos permite passar para uma fase de triagem estratégica, permitindo uma melhor procura nos locais mais auspiciosos para investigar.

Curiosidade:

Na Via Láctea existem centenas de milhares de milhões de estrelas, mas apenas algumas dezenas de milhares de milhões são semelhantes ao Sol, com características físicas que poderiam permitir a existência de planetas habitáveis.

Autor: Prof. Nuno Nascimento

Professor de Informática e apaixonado pelo conhecimento científico.

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