O carcinoma fibrolamelar (FLC) é um cancro do fígado raro que afeta adolescentes e adultos jovens saudáveis. Caracteriza-se por células tumorais protegidas por espessas camadas de tecido fibroso que impedem o tratamento. Utilizando análise genética avançada, uma equipa liderada pelas universidades de Cornell e Washington descobriu que o tumor cria uma “armadilha” que retém as células T no tecido circundante.

Segundo Andreas Stephanou, um dos líderes do estudo, esta barreira física foi o segredo revelado pela investigação:
“Foi apenas quando utilizámos esta tecnologia [análise célula a célula] que o verdadeiro retrato do microambiente tumoral começou finalmente a tornar-se claro”.
Para contornar este obstáculo, os cientistas testaram o AMD3100, um fármaco já aprovado pela FDA, que bloqueia os sinais químicos que desviam as células imunitárias. Quando combinado com a imunoterapia, o medicamento permitiu que as células T penetrassem no tumor e destruíssem as células cancerígenas.
“Os nossos resultados fornecem algumas das primeiras indicações sobre porque razão este tipo de imunoterapia não tem funcionado nestes doentes, explica o investigador Praveen Sethupathy, acrescentando que, mesmo não sendo a solução única, este fenómeno de exclusão das células T é agora “um alvo importante a combater”.”
Um dos aspetos mais críticos é que o carcinoma fibrolamelar desenvolve-se silenciosamente, dificultando o diagnóstico precoce. Por isso, a rapidez em levar novas terapias aos doentes é vital. A grande vantagem desta descoberta é que o fármaco utilizado já é conhecido pela medicina.
Como sublinha Sethupathy,
“uma das características mais promissoras deste trabalho é que o AMD3100 já foi aprovado pela FDA, o que poderá reduzir riscos e encurtar significativamente o tempo necessário para iniciar ensaios clínicos”
