Os cientistas Nils Haller, Thomas Stanin, Tilmann Strepp, Julia Blumkaitis, Manfred Düring, Thomas Mroz, Wolfgang Trutschnig e Thomas Leonhard Stöggl, analisaram através de um estudo científico como o esforço físico efectuado em campo se traduz em respostas fisiológicas no organismo, mostrando que a mesma carga externa pode gerar níveis diferentes de fadiga entre jogadores. Esta ligação é vital para ajustar o treino, de modo a aumentar o rendimento e para diminuir o risco de lesões.

Para encontrarem as respostas que procuravam, os autores decidiram criar dois campos de observação. o que o jogador faz (carga de treino externa) e outro como o organismo reage (carga de treino interna).

Na carga de treino externa foram analisados os seguintes dados:

  • A distância total percorrida – quanto o jogador correu no treno ou jogo.
  • A distância a alta velocidade – quanto o jogador correu rápido (quantos sprints e acelerações realizou)
  • A potência metabólica elevada – esforço físico intenso (quantas mudanças rápidas, acelerações e travagens fez).

Na carga de treino interna foram analisadas várias medidas que analisaram as respostas fisiológicas do organismo, ou seja, o impacto do treino no corpo:

  • RPE (Perceção de esforço) – Qual o grau de dificuldade que o treino criou no jogador?
  • Frequência cardíaca – Qual o esforço cardiovascular?
  • Lactato – Qual a fadiga muscular?
  • Creatina quinase (CK) – Quais os danos musculares?

O estudo acompanhou 25 jogadores jovens de alto nível, durante 3 meses e foram medidos todos os treinos e jogos. Os autores criam perceber se o jogador que corresse mais, tinha um desgaste maior no corpo? Ou se haviam jogadores que faziam muito esforço, mas que recuperavam bem, sem grande desgaste. A carga externa foi então avaliada através de um sistema de posicionamento local, enquanto a interna incluiu indicadores subjetivos (RPE, qualidade do sono e níveis de energia) e com indicadores objetivos (biomarcadores sanguíneos e desempenho neuromuscular).

Jogadores de futebol a realizar treino de campo – Foto de Ian Taylor na Unsplash

Os autores descobriram que as medidas subjetivas, especialmente o RPE, apresentaram as associações mais fortes e consistentes com a carga externa, independentemente do método de cálculo da carga (diária, acumulada ou razão aguda-crónica). Em contraste, os marcadores objetivos, como creatina quinase (CK), lactato desidrogenase (LDH) ou métricas de salto contra‑movimento, mostraram relações mais fracas e menos consistentes com a carga externa.

Como os próprios autores referem no artigo, os resultados sugerem que:

Questionários bem estruturados podem ser usados com confiança para monitorizar a carga em futebol de elite juvenil

Alguns biomarcadores mostraram ligações específicas que dependem do cálculo da carga: por exemplo, o LDH foi positivamente interligado com a maioria das medidas de carga, enquanto o CK sobressaiu mais quando se analisou a razão aguda – crónica. No entanto, estas ligações não foram tão robustos nem tão gerais como os observados nas medidas subjetivas.

O desempenho neuromuscular medido pelo salto vertical também mostrou ligações negativas com algumas métricas de carga, indicando alterações na capacidade de produção de força associadas ao aumento do treino.

Os cientistas frisam que a complexidade da resposta fisiológica ao treino no futebol exige uma abordagem agregada à avaliação das cargas, agrupando ferramentas subjetivas simples com dados objetivos sempre que possível.

Os cientistas destacam que, embora questionários como o RPE sejam “fáceis de aplicar e sensíveis à carga de treino”, a compreensão de biomarcadores deve ser enquadrada e de preferência usada de forma complementar e individualizada para cada atleta.

Como conclusão, este estudo demonstra que no contexto do futebol de elite juvenil, as impressões subjetivas dos atletas sobre a intensidade e esforço refletem melhor a carga externa real do treino do que muitos indicadores fisiológicos tradicionais. Estes dados ajudam os treinadores e preparadores físicos que buscam melhores planos de treino de modo a reduzir o risco de sobrecarga.

Autor: Prof. Nuno Nascimento

Professor de Informática e apaixonado pelo conhecimento científico.

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