Imagine se fosse possível comunicar com o seu animal de estimação.
Várias equipas nas áreas da biologia, linguística e inteligência artificial têm vindo a desenvolver modelos capazes de identificar repetições, variações e até possíveis “sequências” nos sons emitidos por animais. Nos últimos anos, a inteligência artificial tem sido utilizada para compreender melhor a forma como os animais comunicam.
Os investigadores procuram padrões que possam indicar estruturas semelhantes a uma linguagem, sobretudo nas vocalizações de espécies como baleias e golfinhos. Estes padrões são analisados através de algoritmos e estudos publicados na revista Nature Communications mostram que algumas dessas vocalizações apresentam regularidades que sugerem formas organizadas de comunicação.
O investigador Aza Raskin, do Earth Species Project, defende que
estamos a começar a aplicar aos animais as mesmas ferramentas que revolucionaram a tradução entre línguas humanas, abrindo caminho a uma nova forma de interpretar sinais biológicos.
Os cachalotes, com os seus “cliques”, são dos casos mais estudados, já que estes sons podem formar padrões complexos. Alguns cientistas sugerem que podem conter informação sobre identidade, localização ou comportamento. Embora ainda não seja possível traduzir diretamente esses sinais, os avanços recentes indicam que existe mais estrutura do que se pensava.

Como referem vários autores,
compreender a comunicação animal não significa necessariamente que exista uma “linguagem” no sentido humano.
Ainda assim, estas descobertas estão a mudar a forma como vemos a inteligência e a interação entre espécies. No futuro, poderá ser possível interpretar melhor os sinais dos animais, compreender o seu mundo e, com isso, alterar a relação entre humanos e outras espécies.
Foto de Todd Cravens na Unsplash
