Um estudo genómico detalhado sobre microrganismos muito antigos conhecidos como Archaea Asgard, foi desenvolvido por uma equipa internacional de investigadores, tendo como autor principal o cientista Brett J. Baker Associate Professor de marine science and integrative biology, da Universidade do Texas no Austin. Os Archaea Asgard são considerados os parentes vivos mais próximos das eucariotas, ancestrais das células complexas que compõem animais, plantas e fungos.
Após análise de 13000 genomas retirados de sedimentos marinhos, os investigadores desvendaram mecanismos de como estes micróbios antigos utilizavam ou toleravam oxigénio. Esta descoberta coloca em causa, teorias anteriores de que os seus antepassados vivam em ambientes sem oxigénio.
Com os dados recolhidos deste estudo, permite questionar e explicar uma parte muito importante da história evolutiva, de como terá sido a formação das células eucariotas, organismos que têm órgãos celulares e um núcleo concreto.
No artigo, os autores levantam a hipótese de um microrganismo procariótico muito antigo ter-se juntado a uma bactéria capaz de produzir energia (futura mitocôndria) e daí terem nascido as células eucariotas. Também foi questionado de como organismos com tolerância diferente ao oxigénio conseguiram fundir-se numa união de dependência mútua.
Foi também possível verificar com o estudo realizado, que alguns dos Asgard mais próximos dos eucariotas modernos, conseguiam tolerar oxigénio e também possuíam mecanismos químicos para neutralizar ou usar o oxigénio de forma segura.
Em declarações à comunicação científica, o coautor Brett Baker explicou que os Microrganismos Asgard que já tinham sido analisados em estudos científicos anteriores a este estudo, viviam em ambientes sem oxigénio, mas:
Os que tinham uma grande ligação com os eucariotas viviam em ambientes com oxigénio e tinham mecanismos químicos para neutralizar ou usar o oxigénio de forma segura.
Mostrando que o organismo comum mais antigo poderia já ter essa capacidade, um requisito essencial para a evolução da vida complexa.
Porque isto é importante?
Os autores referem que esta descoberta não responde a todas as perguntas sobre a origem da vida, mas funciona como uma peça do puzzle e altera substancialmente a linha cronológica tradicional, pois pode levar a uma revisão de como surgiram os organismos multicelulares e provavelmente como a vida poderá desenvolver-se noutros planetas.
