Antibióticos em risco

Antibióticos em risco

Nos últimos anos, o uso desmesurado e, por vezes, inadequado dos antibióticos tem permitido que certas bactérias desenvolvam mecanismos de defesa, tornando cada vez mais difícil combater infeções. Esta questão é hoje considerada uma das maiores ameaças à saúde pública global e está a acelerar a um ritmo preocupante.

Infeções que eram relativamente simples de tratar no passado, como pneumonias, infeções urinárias ou feridas, começam agora a exigir tratamentos mais longos, mais caros e, em alguns casos, menos eficazes, segundo dados da Organização Mundial da Saúde.

Segundo vários investigadores na área da microbiologia, este fenómeno resulta de uma verdadeira “corrida evolutiva” entre humanos e bactérias. Quando se toma um antibiótico, o medicamento não distingue quais as bactérias a eliminar, atua sobre todas as bactérias sensíveis presentes no organismo. No entanto, nem todas são iguais: algumas morrem facilmente, enquanto outras apresentam pequenas variações genéticas que lhes conferem resistência. Essas sobrevivem e multiplicam-se, tornando a infeção mais difícil de tratar.

Este problema é agravado pelo uso incorreto dos antibióticos. Interromper o tratamento antes do tempo, utilizá-los quando não são necessários ou recorrer a doses inadequadas aumenta a probabilidade de sobrevivência das bactérias resistentes.

Antibióticos | Foto de Roberto Sorin na Unsplash

Como refere um relatório da Organização Mundial da Saúde,

a resistência antimicrobiana é uma ameaça crescente que pode comprometer décadas de progresso na medicina moderna.

O impacto vai muito além das infeções do dia a dia. Procedimentos médicos como cirurgias, quimioterapia ou transplantes dependem da eficácia dos antibióticos para prevenir infeções. Sem essa proteção, muitas destas intervenções tornam-se significativamente mais arriscadas, colocando em causa avanços fundamentais na medicina.

Mas há ainda outro fator importante: a utilização de antibióticos na produção animal. Em sistemas de criação intensiva, estes medicamentos são frequentemente usados para prevenir doenças e promover o crescimento, o que favorece o aparecimento de bactérias resistentes. Estas podem chegar aos humanos através da cadeia alimentar ou do ambiente, contribuindo para o agravamento do problema.

Perante este cenário, os investigadores defendem o desenvolvimento de novos antibióticos, a redução do uso desnecessário, tanto em humanos como na produção animal e uma maior consciencialização da população. A forma como utilizamos estes medicamentos hoje poderá determinar a sua eficácia no futuro.

Foto de National Institute of Allergy and Infectious Diseases na Unsplash

Autor: Prof. Nuno Nascimento

Professor de Informática e apaixonado pelo conhecimento científico.

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