Num artigo recente de revisão, liderado por M. M. Mashfy e colaboradores, os investigadores analisam o potencial das baterias de iões de sódio como alternativa às atuais baterias de lítio, que dominam o mercado da eletrónica e dos veículos elétricos.
Os autores começam por destacar um problema crescente: a forte dependência do lítio. Apesar das baterias de iões de lítio oferecerem melhor desempenho, sobretudo em termos de densidade energética, o aumento da procura tem feito disparar os preços e levantado preocupações quanto à disponibilidade futura. Como referem, esta dependência pode gerar “riscos geopolíticos e limitações no fornecimento”, já que a produção está concentrada em poucos países.
É neste contexto que surgem as baterias de sódio. Segundo o estudo, uma das suas maiores vantagens é o facto de utilizarem materiais “abundantes e de baixo custo”, como o sódio e o alumínio, o que pode reduzir significativamente os custos e tornar o armazenamento de energia mais acessível. Além disso, os investigadores sublinham que o sódio é muito mais comum na natureza, podendo até ser obtido a partir da água do mar, o que diminui a pressão sobre recursos limitados.
No entanto, o artigo não ignora os desafios. As baterias de sódio ainda ficam atrás das de lítio em aspetos importantes, como a densidade energética e o desempenho em aplicações exigentes. Ainda assim, há sinais encorajadores: os autores referem que os avanços recentes em materiais de elétrodos:
Têm vindo a reduzir essa diferença, melhorando o desempenho e a durabilidade destas baterias.
Outro ponto destacado é a segurança. De acordo com os investigadores, as baterias de sódio apresentam:
Melhor estabilidade térmica
O que pode torná-las mais seguras, especialmente em sistemas de armazenamento estacionário, como redes elétricas baseadas em energias renováveis.
No final, M. M. Mashfy e a sua equipa defendem que esta tecnologia pode ter um papel importante no futuro energético, alinhando-se com objetivos globais como o acesso a energia limpa e a redução das alterações climáticas. Ainda assim, sublinham que será essencial continuar a investir em inovação, integração de sistemas e reciclagem para que estas baterias consigam competir plenamente com as soluções atuais.
Porque isto importa?
Hoje, grande parte da tecnologia que usamos, dos telemóveis aos carros elétricos, depende de baterias de lítio. O problema é que este recurso não é infinito, está concentrado em poucos países e o seu preço tem vindo a aumentar nos últimos anos.
É aqui que entram as baterias de iões de sódio. Como o sódio é muito mais abundante e fácil de obter, esta tecnologia pode reduzir custos e tornar o acesso à energia mais equilibrado a nível global. Além disso, pode diminuir a dependência de matérias-primas críticas, um dos grandes desafios da transição energética.
Outro ponto importante é a segurança. As baterias de sódio tendem a ser mais estáveis a altas temperaturas, o que pode torná-las uma opção mais segura, sobretudo para armazenamento de energia em grande escala, como nas redes elétricas alimentadas por energias renováveis.
Apesar de ainda não substituírem completamente as baterias de lítio, especialmente em aplicações como os veículos elétricos, os avanços recentes mostram que podem vir a desempenhar um papel complementar essencial.

No futuro, é provável que não exista uma única solução dominante, mas sim várias tecnologias adaptadas a diferentes necessidades. E as baterias sem lítio podem ser uma peça importante nesse puzzle energético.
Foto de Igor Omilaev na Unsplash
