Uma investigação internacional, coordenada pelos astrónomos Matthew Kenworthy (Universidade de Leiden) e Erik Mamajek (NASA/JPL), identificou evidências de um choque violento entre dois planetas de grande porte na nossa galáxia. O estudo, publicado na prestigiada revista Nature, baseia-se na análise de anomalias luminosas detetadas no sistema ASASSN-21qj, representando uma oportunidade rara de observar processos de formação e evolução planetária quase em tempo real.

A atenção dos cientistas foi despertada por uma flutuação de brilho invulgar na estrela: um aumento súbito de luminosidade seguido de um enfraquecimento gradual ao longo de vários anos. Este padrão não corresponde aos trânsitos planetários habituais e, segundo os autores, a explicação mais plausível é a libertação massiva de energia de um impacto gigante entre dois corpos planetários, o que gerou uma nuvem de detritos extremamente quente.

Simulação da evolução de um corpo formado após uma colisão entre planetas no sistema ASASSN-21qj. Os modelos sugerem que um objeto com várias massas terrestres poderá gerar a emissão infravermelha observada, aquecendo até cerca de 1000 K e arrefecendo progressivamente ao longo do tempo. A figura mostra como o brilho diminui à medida que o material resultante do impacto se expande e perde energia.

Segundo Kenworthy,

esta observação permite documentar as consequências diretas de eventos que, até agora, eram maioritariamente previstos apenas em modelos teóricos.

À medida que a nuvem de material resultante do choque expandiu e arrefeceu, tornou-se progressivamente mais opaca, causando o escurecimento gradual registado pelos telescópios.

A equipa utilizou dados combinados de vários instrumentos, incluindo o projeto ASAS-SN e o telescópio espacial NEOWISE, que permitiu monitorizar a emissão de infravermelhos associada ao material aquecido. Esta abordagem técnica foi vital para validar a hipótese de colisão e descartar outras causas, como poeira interestelar.

Observações da estrela ASASSN-21qj em luz visível e infravermelha mostram uma variação significativa no seu brilho ao longo do tempo. Os dados indicam um aumento inicial de luminosidade seguido de um escurecimento gradual, acompanhado por emissão infravermelha associada a material aquecido, compatível com a presença de detritos após uma possível colisão planetária.

Erik Mamajek sublinha que este evento funciona como um laboratório para entender a história do nosso próprio Sistema Solar, que terá sido moldado por impactos semelhantes nos seus primórdios. Os investigadores acreditam que tais fenómenos podem ser mais comuns do que se pensava, embora a sua curta duração em escalas astronómicas dificulte a sua observação frequente.

Autor: Prof. Nuno Nascimento

Professor de Informática e apaixonado pelo conhecimento científico.

Partilhar:
Partilhar traduzido: EN ES

English Español