Durante muitos anos perguntei-me o que seria realmente o Sol. Será apenas uma enorme bola de fogo? Porque é tão diferente dos planetas? E quantas estrelas semelhantes ao Sol existirão no Universo?

Para começar, o sol não é uma bola de fogo, não está a arder pois não existe oxigénio e esta é uma daquelas ideias que temos em crianças, mas na porém no Sol ocorre um processo completamente diferente. No núcleo do Sol, a temperatura anda à volta de 15 milhões de graus Celsius, e a essa temperatura os núcleos de hidrogénio chocam com tanta energia que acabam por se fundir, formando o hélio. Desta forma o brilho do Sol não é mais do que reações de fusão nuclear, em que quatro núcleos de hidrogénio se transformam num núcleo de hélio.

Qual a temperatura à superfície do Sol?

A superfície do sol ronda os 5500 °C.

Durante essa fusão, uma pequena parte da massa transforma-se em energia, de acordo com a equação de Einstein E=mc2, e é essa energia que chega ao planeta Terra sob a forma de luz e calor.

De seguida surgiu-me outra pergunta, será que o sol é sólido? Não, na verdade o sol não tem superfície sólida, é uma enorme esfera de plasma, que é considerado o quarto estado da matéria. Mas o que é o plasma? Imagine um cubo de gelo que ao aquecê-lo, transforma-se em água líquida. Se continuarmos a aquecer, passa ao estado gasoso sob a forma de vapor. Mas se a temperatura aumentar para milhões de graus, como acontece no interior das estrelas, esse gás deixa de conseguir manter os eletrões ligados aos átomos e transforma-se em plasma. É por isso que o Sol não é sólido nem um simples gás. É uma enorme esfera constituída por matéria eletricamente carregada.

Bem, mas se o Sol não é sólido seria capaz de o atravessar?

A resposta é sim, mas apenas se fosse possível sobreviver às temperaturas gigantescas, à radiação e às pressões extremas. Mas aqui levanta-se uma questão, será que apenas os objectos sólidos têm massa? A resposta é não, uma vez que a massa corresponde à quantidade de matéria existente num objecto, independentemente de este ser sólido, líquido, gasoso ou plasma. O Sol não tem uma superfície sólida e é constituído praticamente por plasma, mas contém uma massa gigantesca, imagine a massa da Terra e multiplicar por 330 000 vezes… É graças a esta massa que é gerada uma força gravitacional que mantém o sistema solar junto.

Muitas vezes quando olho a partir de uma janela em dias com nebulosidade, tento ver a forma do sol, Consigo distinguir claramente o seu disco quase perfeito. Mas qual será realmente a sua dimensão? A maneira mais fácil é imaginar que dentro do Sol caberiam 1,3 milhões de planetas Terra, sim é enorme, mas porque será que vejo apenas um pequeno círculo e não algo gigantesco? Contudo estamos a cerca de 149,6 milhões de quilómetros de distância e a luz demora a chegar ao nosso planeta 8 minutos e 20 segundos.

Mas o que terá criado o sol?

Pensa-se que o Sol foi criado há 4,6 mil milhões de anos através de um colapso gravitacional de uma nuvem molecular que continha essencialmente por hidrogénio e hélio e que uma explosão de uma supernova próxima tenha comprimido a nuvem. À medida que a matéria era atraída para a região central dessa nuvem, a pressão e a temperatura aumentaram progressivamente, o núcleo atingiu cerca de 15 milhões de graus Celsius, dando origem a reações de fusão nuclear e assim nasceu o Sol. À volta desta jovem estrela permaneceu um disco de gás e poeiras, a partir do qual se formaram os planetas, os asteroides e os restantes corpos do Sistema Solar. O mais incrível é que o Sol completa uma órbita em torno do centro da Via Láctea em cerca de 230 milhões de anos, imagine a última vez que isto aconteceu ainda existiu no planeta Terra os dinossauros.

Tenho dificuldade em acompanhar estas dimensões gigantescas, mas então quantas estrelas existem no universo?

E há noite quando vejo o céu estrelado, são estrelas como o Sol ou é outra coisa? Os astrónomos através observações, estatísticas e modelos pensam que existam por volta de 200 mil milhões de biliões de estrelas no Universo observável, se escrever por extenso é este número: 200 000 000 000 000 000 000 000…

E o mais impressionante é que quando olhar para uma noite estrelada, lembre-se de que não está a ver milhares de pequenas estrelas. Está a observar milhares de sóis espalhados pela nossa galáxia, podendo alguns ter planetas e céus como o nosso. Afinal os pequenos pontos brilhantes que vejo no céu são sóis… Na realidade estamos a ver uma vizinhança da nossa galáxia. Imagine uma praia enorme, em que apanha um único grão de areia. Esse grão representa aproximadamente as estrelas que consegue ver a olho nu e a praia inteira representa as estrelas da Via Láctea é apenas uma entre centenas de milhares de milhões de galáxias. Agora imagine todas as praias de todos os continentes da Terra, isto ainda assim fica muito longe do tamanho para representar todas as estrelas do Universo observável.

Depois de recuperar o fôlego, tento perceber se os sóis que existem no universo são todos iguais, e mais uma vez sou surpreendido pela variedade e características, O Sol faz parte da categoria das anãs amarelas, mas existem muito mais, como estrelas muito pequenas, as chamadas anãs vermelhas, estrelas maiores que o Sol, gigantes vermelhas, supergigantes, estrelas de neutrões, anãs brancas que são restos de estrelas, entre outros tipos.

A questão que se impõe é porque é que isto importa?

O Sol é apenas uma entre centenas de milhares de milhões de estrelas da Via Láctea. No entanto, para nós, é única. Sem ele não existiriam dias nem noites, não haveria água líquida, plantas, animais ou seres humanos. Conhecer o Sol é, afinal, conhecer a nossa própria origem e perceber o lugar muito especial que ocupamos no Universo.

Autor: Prof. Nuno Nascimento

Professor de Informática e apaixonado pelo conhecimento científico.

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