Foi publicado na revista Scientific Reports um estudo realizado em Portugal que procurou medir o armazenamento do chamado “carbono azul” em florestas de algas marinhas, conhecidas como kelp. O trabalho foi conduzido por uma equipa de investigadores liderada pelo cientista João N. Franco, que analisou estas formações ao longo da costa norte do país.

Distribuição das florestas de kelp ao longo da costa norte de Portugal. A preto estão representadas as áreas com presença de algas, enquanto a branco correspondem zonas sem vegetação. À direita, a densidade de kelp é apresentada através de um mapa de calor.
Crédito: Franco et al. (2025), Scientific Reports

Os investigadores focaram-se principalmente em duas espécies dominantes na costa portuguesa: Laminaria hyperborea e Saccorhiza polyschides. Ao longo do estudo, analisaram de que forma estas algas capturam carbono e durante quanto tempo conseguem mantê-lo armazenado.

Como explicam os autores,

estes ecossistemas marinhos capturam carbono atmosférico através da fotossíntese e podem contribuir para o seu armazenamento a longo prazo, desempenhando um papel semelhante ao das florestas terrestres.

Uma das conclusões mais relevantes do estudo foi a de que estas florestas marinhas não apenas capturam carbono, mas também o exportam para zonas mais profundas do oceano, onde pode permanecer armazenado durante longos períodos. Segundo a equipa, este processo reforça o impacto destes habitats na mitigação das alterações climáticas.

Os investigadores sublinham ainda que o papel das florestas de kelp tem sido “largamente subestimado”, apesar da sua elevada produtividade e da capacidade de sequestrar carbono de forma eficiente. Numa altura em que o aquecimento global continua a acelerar, defendem que a proteção e monitorização destes ecossistemas deve ser uma prioridade, não só pelo armazenamento de carbono, mas também pelo contributo para a biodiversidade marinha e para o equilíbrio dos oceanos.

Foto de Paulo Cardoso na Unsplash

Autor: Prof. Nuno Nascimento

Professor de Informática e apaixonado pelo conhecimento científico.

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