As florestas tropicais têm sido um dos principais aliados no combate às alterações climáticas, funcionando como importantes reservatórios naturais de carbono. No entanto, um estudo internacional liderado por Simon L. Lewis e Wannes Hubau revelou que esta capacidade pode estar a diminuir em várias regiões do planeta.
O trabalho científico, publicado na revista Nature, analisou mais de 30 anos de dados recolhidos em centenas de áreas florestais em África e na Amazónia. Os investigadores observaram que, apesar de as florestas continuarem a absorver dióxido de carbono, a taxa de absorção tem vindo a diminuir de forma consistente. Segundo os autores, o aumento das temperaturas e das secas está a afetar o crescimento das árvores e a sua capacidade de armazenar carbono.
Como explicou Simon Lewis,
as florestas tropicais continuam a ser um importante sumidouro de carbono, mas o seu pico de absorção poderá já ter sido atingido.
Já Wannes Hubau sublinha que
este declínio é um sinal claro de que os efeitos das alterações climáticas estão a afetar até os ecossistemas mais resilientes.
O estudo identifica também diferenças entre regiões: as florestas africanas e amazónicas apresentam um declínio na absorção de carbono, embora mais lento em África e mais rápido na Amazónia. Estas diferenças poderão estar relacionadas com fatores climáticos e com o impacto da atividade humana, como a desflorestação.

Os investigadores alertam que esta tendência poderá ter consequências significativas para o equilíbrio climático global. Se as florestas deixarem de absorver tanto carbono como antes, mais dióxido de carbono permanecerá na atmosfera, acelerando o aquecimento global.
Como concluem os autores,
não podemos assumir que a natureza continuará a compensar as emissões humanas indefinidamente.
