Uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra liderada por Lígia C. Gomes‑da‑Silva e Luís G. Arnaut, juntamente com Mafalda Penetra, Bárbara Lima, João P. A. Campos, Sara M.A. Pinto, Fábio A. Schaberle e Mariette M. Pereira, descreveu no seu artigo a descoberta de uma nova molécula fotossensibilizadora chamada LUZ51, que pode transformar a abordagem à terapia fotodinâmica no tratamento de tumores sólidos.

a) Estrutura química da molécula.
b) Principais propriedades desejadas, como penetração nas células tumorais e estabilidade.
c) Espectros de absorção (vermelho) e fluorescência (azul) em etanol e 16% da energia absorvida é emitida como luz fluorescente.
d) Produção de oxigénio singlete, a substância que destrói células cancerígenas, comparando LUZ51 (cinzento) com uma molécula de referência (preto).
O foco do estudo foi desenvolver um composto pequeno, um bacterioclorino de baixo peso molecular, capaz de penetrar eficazmente nas células cancerígenas e atravessar as barreiras biológicas que normalmente limitam a eficácia dos tratamentos existentes. Segundo os autores, a molécula LUZ51 absorve fortemente luz no infravermelho próximo, é estável sob irradiação e tem uma eficácia elevada na geração de oxigénio reativo, fundamental para destruir células tumorais.
Nos ensaios em laboratório, LUZ51 demonstrou uma entrada rápida nas células através de difusão passiva e revelou uma fototoxicidade muito alta mesmo com doses de luz baixas, ao mesmo tempo que não mostrou toxicidade significativa na ausência de luz, uma combinação essencial para segurança e eficácia. Em modelos animais, camundongos com tumores do tipo CT26 ficaram totalmente curados após um único tratamento de terapia fotodinâmica com LUZ51, e puderam resistir ao regresso dos tumores quando desafiados novamente. Em outros modelos agressivos de cancro de mama, a abordagem não só reduziu o tamanho do tumor como também inibiu o desenvolvimento de metástases nos pulmões, um dado que, segundo o estudo, é particularmente promissor

Os investigadores sublinham no artigo que, embora a terapia fotodinâmica seja tradicionalmente vista como uma técnica local, com limitações para tumores grandes e pouco vascularizados, a LUZ51 pode ultrapassar muitas dessas limitações graças à sua capacidade de acumular seletivamente nos tumores, ser rapidamente internalizada pela célula e ativar respostas imunitárias que podem ajudar a controlar metastização.
Os autores concluem que esta molécula representa um candidato muito promissor para futuras aplicações terapêuticas, sobretudo em tumores de difícil tratamento, e apontam para a necessidade de estudos clínicos adicionais para validar a eficácia e segurança em humanos.
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