A “Geração Z” (ou Gen Z) define o grupo demográfico nascido entre 1997 e 2012. Conhecidos como “nativos digitais”, são a primeira geração que cresceu rodeada pela internet, redes sociais e smartphones, o que moldou e muito a sua forma de viver e interagir. Se num artigo anterior explorámos o porquê de estarmos “viciados” no telemóvel, um novo estudo vem agora lançar luz sobre o impacto da publicidade neste cenário.

O Estudo: Além do Tempo de Ecrã

As redes sociais são o ecossistema da Geração Z, mas como afetam o seu bem-estar? As investigadoras Isabel Barbosa e Elizabeth Real de Oliveira, da Universidade Portucalense, procuraram compreender como a publicidade e os conteúdos digitais influenciam estes jovens. O estudo, publicado na revista Journal of Marketing Communications, utilizou uma abordagem inovadora: em vez de apenas medir horas de utilização, as autoras entrevistaram 30 jovens para analisar as suas experiências reais.

A Complexidade da Experiência Digital

Os dados revelaram que a realidade é muito mais complexa do que um simples juízo de “bom” ou “mau”. As experiências foram categorizadas de duas formas:

  • Positivas: Quando o conteúdo promove informação útil, motivação ou uma sensação genuína de ligação social.
  • Negativas: Relatos de ansiedade, distração excessiva e a armadilha das comparações sociais.

Um ponto grave identificado pela equipa foi o impacto de anúncios considerados intrusivos ou manipuladores. Estes conteúdos geram um sentimento de pressão e desgaste emocional, mostrando que cada utilizador reage de forma única ao “bombardeamento” digital.

A “Agência do Utilizador”: O Poder de Decidir

Um dos aspetos mais interessantes da investigação é a capacidade de resiliência dos jovens. Muitos participantes desenvolveram estratégias conscientes de proteção, como ignorar certos conteúdos, limitar o tempo de exposição ou investir na sua própria competência digital. É o que as autoras definem como “agência do utilizador”: a capacidade de tomar decisões conscientes sobre o consumo digital.

Uma Responsabilidade Partilhada

A conclusão de Isabel Barbosa e Elizabeth Real de Oliveira é clara: a saúde mental no mundo digital não deve ser responsabilidade exclusiva do jovem utilizador. É necessário que plataformas, anunciantes e decisores políticos assumam um papel ativo na criação de ambientes mais saudáveis. O problema central pode não ser o ato de “estar” nas redes sociais, mas sim a forma como estas são desenhadas e o tipo de estímulos que colocam diante dos nossos olhos.

Imagem de destaque: Foto de Vitaly Gariev na Unsplash

Autor: Prof. Nuno Nascimento

Professor de Informática e apaixonado pelo conhecimento científico.

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