Nos artigos anteriores, vimos como as leis de Newton regem o movimento e como a gravidade e o atrito moldam a trajetória de um objeto. No entanto, falta um elemento crucial para a precisão: a rotação. É a rotação que permite a uma flecha (ou a uma bala) manter a sua direção sem se desviar erradamente.

O Binário e o Momento Angular

Um objeto começa a girar quando lhe é aplicada uma combinação de forças chamada “binário”, que consiste em duas forças de sentidos opostos aplicadas a lados opostos do corpo. Uma vez em rotação, o objeto adquire uma propriedade chamada “momento angular”. Este depende da massa, do tamanho e da velocidade de rotação: quanto mais pesado, largo ou rápido for o giro, maior será o seu momento angular.

A Lei da Conservação

O momento angular mantém-se constante se nenhuma força externa atuar para o alterar. Isto gera fenómenos muito interessantes: se um corpo em rotação reduzir o seu diâmetro, a sua velocidade tem de aumentar para conservar o momento.

É por isso que os patinadores no gelo giram muito mais depressa quando juntam os braços ao corpo durante uma pirueta | Imagem: Foto de Lai Man Nung na Unsplash

O Giroscópio e a Navegação

O expoente máximo desta estabilidade é o giroscópio, um disco giratório montado numa armação. A conservação do momento angular assegura que o seu eixo não mude de direção. Esta propriedade permite a criação de girobússolas, que indicam a direção em navios e aviões com muito maior precisão do que as bússolas magnéticas, servindo de base para sistemas de navegação automática.

Precessão e Estabilidade no Voo

Os corpos giratórios exibem também a precessão. Se tentarmos virar o eixo de um giroscópio à força, ele mover-se-á num sentido em ângulo reto à força aplicada. É este princípio, aliado à conservação do momento angular, que explica porque é que os arqueiros colocam penas na cauda da flecha de forma ligeiramente inclinada. As penas forçam a flecha a rodar durante o voo, criando a estabilidade necessária para que ela não “capote” no ar, mantendo o seu eixo estável até atingir o alvo.

Este brinquedo volta sempre À posição vertical, por muito que seja inclinado. O centro de gravidade está tão baixo que fica sempre para um lado do ponto em que o brinquedo se apoia e a gravidade puxa-o para a posição vertical.

Autor: Prof. Nuno Nascimento

Professor de Informática e apaixonado pelo conhecimento científico.

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