Um novo estudo sobre o 3I/ATLAS foi disponibilizado na plataforma arXiv e ainda aguarda revisão por pares. Este trabalho científico foi desenvolvido por vários investigadores, incluindo o astrónomo Ignacio Ferrín, que liderou o projeto.
O 3I/ATLAS tem vindo a ser observado há vários meses e, com base nos dados recolhidos, os cientistas identificaram um conjunto de propriedades pouco comuns que estão a despertar a atenção da comunidade científica. Atualmente, este objeto é classificado como um cometa, embora alguns aspetos do seu comportamento e das suas características físicas não se enquadrem totalmente nos modelos tradicionais.
Segundo os autores, a curva de luz do objeto apresenta variações inesperadas, incluindo uma alteração significativa ao longo de cerca de 45 dias e uma queda abrupta de brilho que ainda não foi explicada de forma convincente. Mais surpreendente ainda, o pico máximo de luminosidade não ocorre no ponto de maior proximidade ao Sol, mas sim cerca de duas semanas depois — um atraso térmico que, como referem os investigadores, “não é totalmente compreendido” e pode indicar processos físicos mais complexos.

Outro aspeto incomum está relacionado com a aparência da coma, a nuvem de gás e poeira que envolve o objeto. As observações apontam para uma estrutura surpreendentemente simétrica, algo pouco frequente em cometas ativos. A análise com técnicas de processamento de imagem, como o filtro de Larson-Sekanina, revelou ainda padrões de jatos com uma organização invulgar, sugerindo uma atividade interna que poderá não ser uniforme nem simples de interpretar.

Os dados disponíveis não permitem ainda determinar com precisão a dimensão do núcleo nem o seu poder de reflexão, uma vez que este permanece oculto pela própria atividade do objeto. Esta limitação dificulta a sua caracterização detalhada e contribui para algumas aparentes contradições: por um lado, apresenta brilho e atividade comparáveis aos de cometas ativos, por outro, não exibe todos os sinais típicos esperados, o que levanta questões sobre a sua natureza.
Adicionalmente, o estudo aponta para episódios de ejeção significativa de material, cuja interpretação permanece incerta. Em condições normais, este tipo de atividade poderia estar associado a uma forte sublimação ou até a processos de fragmentação, mas essas hipóteses não são claramente suportadas pelas observações disponíveis.


Perante este conjunto de dados, os investigadores admitem que o 3I/ATLAS poderá ser mais complexo do que inicialmente se pensava. Entre as hipóteses consideradas está a possibilidade de se tratar de um sistema binário, no qual dois corpos interagem entre si, podendo explicar algumas das variações observadas.
Como sublinha a equipa,
a interpretação dos dados permanece desafiante, sendo necessárias novas observações para compreender melhor este enigmático visitante vindo de fora do nosso Sistema Solar.
