Imagine explorar uma área praticamente isolada, como na parte inferior de uma plataforma de gelo na Antártida . Foi o que uma equipa de cientistas liderados pela cientista Anna Wahlin, propuseram-se a fazer com a ajuda de um robô submarino autónomo.

A investigação ocorreu na parte inferior da plataforma de gelo Dotson, na região da terra de Marie Byrd, na Antártida Ocidental.

O robô denominado Ran, percorreu durante um mês, centenas de quilómetros debaixo do gelo, recolhendo dados e criado mapas de alta resolução. O que foi descoberto espantou os cientistas, com planaltos, canais e estruturas em forma de lágrima esculpidas pela água. A base do gelo não era lisa, mas sim uma paisagem escondida!

A autora principal, Anna Wahlin, descreveu a descoberta da paisagem do gelo invertida como estar a:

Ver o lado oculto da Lua pela primeira vez

Para além das paisagens de tirar o fôlego, também foi observado através dos dados recolhidos, uma preocupante informação, de que o gelo está a derreter de forma muito irregular. Algumas áreas estão a derreter muito mais rápido do que outras, e atribui-se às correntes oceânicas quentes. Este comportamento não estava bem representado nos modelos científicos atuais, o que pode alterar a forma como prevemos o aumento do nível do mar, devendo ser revistas estas previsões.

A coautora Karen Heywood referiu que as primeiras imagens que visualizou:

Parecia mais arte do que ciência

Também Rob Larter um dos autores do artigo, realçou a importância dos dados recolhidos, pela abordagem única sobre a interação entre o gelo e o oceano, fator essencial para compreender o futuro das plataformas de gelo.

Infelizmente numa das missões seguintes, o robô Ran, desapareceu debaixo do gelo, sem deixar rasto. No entanto os dados recolhidos pelo Ran são de extrema importância e valor para a ciência.

Autor: Prof. Nuno Nascimento

Professor de Informática e apaixonado pelo conhecimento científico.

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