Um possível fenómeno estranho na luz mais antiga do Universo, foi descoberto através de um estudo realizado por cientistas da Universidade da Califórnia, em São Diego. O estudo liderado por A. I. Lonappan e em colaboração com outros cientistas, analisaram a polarização da radiação cósmica de fundo, um eco do Big Bang, onde observaram uma pequena rotação do sinal. Essa luz viajou 13 mil milhões de anos até chegar aos nossos telescópios.
O mais surpreendente é que tendo por base os Modelos Padrão da Física de Partículas e à cosmologia padrão, a luz que atravessa o Universo não deveria rodar. Se o efeito for real, estamos a ver algo que a física atual ainda não explica. Esta rotação é conhecida como birefringência cósmica.
Segundo os autores:
Este tipo de sinal pode indicar a presença de nova física que não está incluída no modelo padrão, sugerindo que a luz pode estar a interagir com partículas ou campos ainda desconhecidos ao longo do seu percurso pelo cosmos
Estes dados foram obtidos através do satélite Planck, da Agência Espacial Europeia e de observações terrestres recolhidas e observações terrestres dos telescópios BICEP, POLARBEAR, SPTpol e Atacama Cosmology Telescope (ACT), que permitiram que os cientistas através do estudo chegassem a estas conclusões, graças a uma análise estatística apurada.

No entanto, os investigadores alertam que os resultados ainda são compatíveis com zero dentro das margens de erro, o que significa que o efeito pode ser uma flutuação estatística ou resultado de limitações nos dados.
Ainda assim, como referem:
Mesmo uma pequeno indicio sólido deste efeito, legitima investigações mais aprofundadas
A possibilidade da luz que atravessou o Universo desde os seus primeiros momentos, transporte informações sobre leis fundamentais ainda por descobrir mantém os cosmólogos curiosos e vigilantes. O estudo realça também a importância de novas observações com equipamentos mais evoluídos para validar ou não este achado.
