Imagine conseguir ver no céu um pequeno corpo gelado que pode preservar materiais presentes desde o início do Sistema Solar. Neste mês de agosto, um cometa de nome 10P/Tempel, descoberto pelo astrónomo Wilhelm Tempel em 1873 passou nos nossos céus no passado dia 2 de agosto. Neste dia o 10P/Tempel fez a passagem pelo periélio, a cerca de 1,42 UA do Sol. No dia 3 de agosto, ocorreu a maior aproximação à Terra, a cerca de 61,9 milhões de km. Ao dia de hoje, o cometa está a afastar-se e começa a perder brilho, mas continua potencialmente observável com um telescópio. Este cometa é um cometa periódico da família de Júpiter, também conhecido como Tempel 2 e completa uma órbita em torno do Sol a cada 5,36 anos.
Curiosidade
O periélio é o ponto mais próximo do Sol. A maior aproximação é o ponto em que o cometa está mais próximo da Terra. À medida que o 10P/Tempel se aproxima do Sol, a radiação aquece a superfície e os gelos começam a sublimar.
Esse processo pode libertar:
- Vapor de água.
- Dióxido de carbono e outros gases.
- Poeira.
- Partículas geladas.
Forma-se então a coma, uma espécie de atmosfera temporária em torno do núcleo.
A radiação solar e o vento solar ajudam depois a moldar as estruturas que associamos aos cometas, incluindo as suas caudas. Várias observações espectroscópicas realizadas ao longo das várias passagens do 10P/Tempel 2 permitiram identificar diferentes moléculas no seu coma, ajudando os cientistas a saber a sua composição química.
No caso de um cometa, a visibilidade depende simultaneamente da distância à Terra, da distância ao Sol, da geometria de iluminação e da atividade do próprio núcleo.
No entanto, não espere uma enorme cauda luminosa atravessando o céu. Para quem o conseguir encontrar, o 10P/Tempel aparecerá provavelmente como uma pequena mancha difusa entre as estrelas.
O 10P/Tempel também deixa para trás uma longa trilha de poeira, formada por partículas libertadas durante várias passagens anteriores pelo Sol. Ao contrário da cauda de poeira, que aparece pela ação da radiação solar e tende a apontar para longe do Sol, esta trilha permanece aproximadamente ao longo da órbita do cometa.
No coma do cometa é observável a cor verde que está associada principalmente à emissão de moléculas excitadas na coma, em particular carbono diatómico (C₂). Quando a radiação ultravioleta do Sol excita estas moléculas, elas emitem luz em determinados comprimentos de onda que, para os nossos olhos e para as câmaras, podem produzir essa aparência esverdeada.
Em Portugal o 10P/Tempel estará na região da constelação de Capricórnio. Para o encontrar será muito útil utilizar uma aplicação de astronomia ou uma carta celeste, porque o cometa é demasiado ténue para ser identificado facilmente sem orientação. O cometa não é visível a olho nu e será necessário utilizar binóculos de grande abertura ou um pequeno telescópio, preferencialmente a partir de um local com pouca poluição luminosa.
