Uma investigação centrada no Vale do Rift de Turkana, entre o Quénia e a Etiópia, uma região onde as placas tectónicas se estão a afastar lentamente, revela que o continente africano pode estar mais próximo de se dividir do que se pensava. O estudo foi publicado na revista Nature Communications e liderado por Christian M. Rowan, da Columbia Climate School.
Foram utilizados dados sísmicos de alta resolução para analisar a atividade no subsolo, tendo os investigadores concluído que, no centro do rift, a crosta tem apenas cerca de 13 quilómetros de espessura, enquanto nas zonas envolventes ultrapassa os 35 quilómetros. Esta diferença indica que a região entrou numa fase avançada de deformação, conhecida como “necking”, em que a crosta se estica e afina até se tornar estruturalmente frágil.

(a) Taxas de deformação em rifts continentais ativos.
(b) Localização de sondagens geológicas usadas para estimar a espessura da crosta e a profundidade do Moho.
(c–d) Distribuição da profundidade do Moho e da espessura da crosta em diferentes tipos de rift.
(e) Mapa do leste de África com falhas do Sistema de Rift da África Oriental (EARS), rifts falhados e velocidades das placas tectónicas.
(f) Mapa detalhado da zona do Rift de Turkana, com a área de estudo e dados sísmicos utilizados.
(g–h) Perfis norte-sul de elevação e profundidade do Moho nos ramos oriental e ocidental do rift. Crédito: Rowan, C. M. et al. (2026), Nature Communications.
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Segundo Rowan,
o rift nesta zona está mais avançado do que se pensava, acrescentando que o leste africano já percorreu uma parte significativa do caminho rumo à fragmentação continental.
A coautora Anne Bécel reforça esta ideia ao afirmar que,
atingimos um limiar crítico de enfraquecimento da crosta, tornando-a mais propensa à rutura e à continuação do processo tectónico.
O rift começou a formar-se há cerca de 45 milhões de anos e poderá demorar ainda vários milhões de anos até que a separação seja completa. Quando isso acontecer, o magma ascenderá pelas fissuras e poderá formar-se nova crosta oceânica, permitindo eventualmente a entrada de água e o nascimento de um novo oceano.
Para além desta descoberta, os investigadores levantam uma hipótese interessante relacionada com a evolução humana. A região de Turkana é conhecida por conter mais de mil fósseis de hominídeos, mas isso poderá não significar que tenha sido um centro de evolução.
Como explica Rowan,
as condições estavam reunidas para preservar um registo fóssil contínuo, devido à acumulação rápida de sedimentos finos associada ao afundamento do terreno após atividade vulcânica.
Como sublinha Folarin Kolawole, trata-se de “um lugar na primeira fila” para compreender como os continentes se fragmentam, um conhecimento essencial para reconstruir o passado da Terra e antecipar a sua evolução futura.
