Imagine ser possível desenvolver microrrobôs tão pequenos como um grão de sal e capazes de detetar o ambiente que os rodeia e executar pequenas decisões de forma independente. Foi esse o objetivo de um trabalho científico desenvolvido na Universidade da Pensilvânia e na Universidade de Michigan, por uma equipa de investigadores liderada por Marc Miskin. O estudo reúne várias áreas, como a engenharia e a física aplicada.
Estes microrrobôs integram um sistema completo, incluindo sensores, unidade de processamento e mecanismos de locomoção, algo notável tendo em conta o seu tamanho, cerca de 200 micrómetros. Apesar das limitações, conseguem executar instruções simples e responder a estímulos externos, como variações de temperatura.

Segundo Marc Miskin,
o grande desafio era conseguir integrar todas as funções essenciais de um robô num dispositivo tão pequeno, algo que até agora parecia fora do alcance da engenharia.
A energia que lhes permite funcionar provém de pequenas células que captam luz. Em vez de utilizarem motores tradicionais, movem-se através da interação com o fluido à sua volta, gerando forças elétricas que os impulsionam. Este sistema permite um funcionamento com um consumo de energia extremamente reduzido.

Como explica o investigador Igor Bargatin,
não estamos a falar de robôs com rodas ou pernas, mas de sistemas que exploram as leis da física à escala microscópica para se deslocarem.
Para Marc Miskin, este representa um passo decisivo:
é a primeira vez que conseguimos combinar computação, sensores e movimento num robô autónomo desta dimensão.
O impacto deste trabalho poderá estender-se a várias áreas, em particular à medicina, com aplicações como a administração direcionada de fármacos ou a monitorização de processos no interior do corpo humano. Embora ainda numa fase inicial, esta tecnologia mostra que a robótica está a entrar numa nova escala, onde o limite deixa de ser visível a olho nu.
