Imagine ser possível desenvolver microrrobôs tão pequenos como um grão de sal e capazes de detetar o ambiente que os rodeia e executar pequenas decisões de forma independente. Foi esse o objetivo de um trabalho científico desenvolvido na Universidade da Pensilvânia e na Universidade de Michigan, por uma equipa de investigadores liderada por Marc Miskin. O estudo reúne várias áreas, como a engenharia e a física aplicada.

Estes microrrobôs integram um sistema completo, incluindo sensores, unidade de processamento e mecanismos de locomoção, algo notável tendo em conta o seu tamanho, cerca de 200 micrómetros. Apesar das limitações, conseguem executar instruções simples e responder a estímulos externos, como variações de temperatura.

Os investigadores conseguiram até comunicar individualmente com cada microrrobô, enviando instruções específicas, como mostra esta imagem. Adaptado de Science Robotics (Lassiter et al., 2025)

Segundo Marc Miskin,

o grande desafio era conseguir integrar todas as funções essenciais de um robô num dispositivo tão pequeno, algo que até agora parecia fora do alcance da engenharia.

A energia que lhes permite funcionar provém de pequenas células que captam luz. Em vez de utilizarem motores tradicionais, movem-se através da interação com o fluido à sua volta, gerando forças elétricas que os impulsionam. Este sistema permite um funcionamento com um consumo de energia extremamente reduzido.

Esquema do fluxo de fluido em torno do microrrobô durante o movimento para a frente. Um campo elétrico estático é estabelecido entre os atuadores frontal e traseiro, gerando movimento no fluido que resulta na deslocação do robô. Adaptado de Science Robotics (Lassiter et al., 2025)

Como explica o investigador Igor Bargatin,

não estamos a falar de robôs com rodas ou pernas, mas de sistemas que exploram as leis da física à escala microscópica para se deslocarem.

Para Marc Miskin, este representa um passo decisivo:

é a primeira vez que conseguimos combinar computação, sensores e movimento num robô autónomo desta dimensão.

O impacto deste trabalho poderá estender-se a várias áreas, em particular à medicina, com aplicações como a administração direcionada de fármacos ou a monitorização de processos no interior do corpo humano. Embora ainda numa fase inicial, esta tecnologia mostra que a robótica está a entrar numa nova escala, onde o limite deixa de ser visível a olho nu.

Autor: Prof. Nuno Nascimento

Professor de Informática e apaixonado pelo conhecimento científico.

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