Na Harvard Medical School, os cientistas Sunghee Bang, Yern-Hyerk Shin e o investigador sénior Jon Clardy mostraram através de um estudo científico, que uma bactéria comum no intestino pode desencadear respostas inflamatórias com impacto no cérebro.

A investigação teve por base a bactéria Morganella morganii, que já tinha sido associada anteriormente a casos de depressão. No entanto, até agora, não era certo se esta relação era causal ou apenas uma coincidência. Com este trabalho, os cientistas conseguiram demonstrar que esta bactéria pode produzir uma molécula capaz de ativar o sistema imunitário, contribuindo para processos inflamatórios ligados à doença.

Foi ainda possível descobrir que um contaminante ambiental, a dietanolamina (DEA), pode alterar uma molécula produzida pela bactéria. Essa alteração faz com que a substância passe a desencadear a libertação de proteínas inflamatórias, como a interleucina-6 (IL-6), frequentemente associada à depressão.

Explicou Jon Clardy,

Sabíamos que micropoluentes podiam ser incorporados em moléculas do corpo, mas não sabíamos como isso acontecia nem quais seriam as consequências. A transformação da DEA num sinal imunitário foi completamente inesperada.

A inflamação crónica é um fator conhecido em várias doenças e tem sido cada vez mais associada à depressão. Os investigadores sugerem que, em alguns casos, a doença pode estar relacionada não apenas com o cérebro, mas também com o sistema imunitário.

Este estudo abre novas possibilidades clínicas. A DEA poderá vir a ser utilizada como biomarcador para identificar certos tipos de depressão, e terapias direcionadas ao sistema imunitário poderão tornar-se uma alternativa aos tratamentos tradicionais.

Ainda assim, os cientistas alertam que são necessários mais estudos para confirmar até que ponto este mecanismo contribui diretamente para a depressão.

Concluiu Jon Clardy,

Agora que sabemos o que procurar, podemos investigar outras bactérias e perceber como as substâncias produzidas durante o metabolismo de um organismo, podem influenciar o mesmo.

Autor: Prof. Nuno Nascimento

Professor de Informática e apaixonado pelo conhecimento científico.

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