Uma equipa de investigadores do Korea Advanced Institute of Science and Technology, liderada pelos professores Sang Ouk Kim e Hyun Jung Chung, procurou explicar um fenómeno que há muito intriga a comunidade científica. Como é que o grafeno consegue atacar bactérias sem afetar os tecidos humanos? Até agora, este processo permanecia pouco claro, mas o estudo permitiu identificar o mecanismo que está por trás desta ação seletiva.
Os investigadores descobriram que o óxido de grafeno atua através de um processo de “ação antibacteriana seletiva” ao ligar-se a uma molécula específica presente na membrana das bactérias, o fosfolípido POPG, que não existe nas células humanas. Ao reconhecer esta diferença, o material consegue aderir à membrana bacteriana e provocar a sua destruição.

Como explicou Sang Ouk Kim,
Este estudo mostra, de forma científica, porque é que o grafeno consegue eliminar bactérias de forma seletiva mantendo-se seguro para o corpo humano.
Para além da sua precisão, o material demonstrou eficácia contra bactérias resistentes a antibióticos, conhecidas como “superbactérias”. Em testes experimentais, estruturas baseadas em grafeno foram capazes de inibir o crescimento destes microrganismos e até acelerar a cicatrização de feridas, sem provocar inflamação.
Este princípio poderá ser aplicado numa vasta gama de produtos, desde vestuário funcional até dispositivos médicos. Destaca-se também a sua durabilidade, fibras com óxido de grafeno mantêm as suas propriedades antibacterianas mesmo após múltiplas lavagens, o que reforça o seu potencial para aplicações no dia a dia.
Os cientistas sublinham que serão necessários mais estudos para avaliar a aplicação em larga escala e garantir a sua segurança a longo prazo. Ainda assim, esta descoberta representa um passo importante no desenvolvimento de novas soluções para combater infeções, numa altura em que a resistência aos antibióticos continua a ser um desafio global.
