Os médicos estão a assistir a uma mudança preocupante: cada vez mais pessoas com menos de 50 anos são diagnosticadas com cancro colorretal. Perante esta realidade, o American College of Surgeons lançou uma iniciativa para ajudar a população a reconhecer precocemente os sinais de alerta e a procurar avaliação médica atempada através de novos materiais informativos.

Mas o que está a acontecer? Porque é que cada vez mais pessoas estão a adoecer? Não há uma resposta simples e segundo os cientistas podem contribuir vários factores como o estilo de vida moderno, a alimentação rica em alimentos ultraprocessados, a obesidade, o sedentarismo, alterações do microbioma intestinal e outras exposições ambientais que podem começar logo na infância.

A cirurgiã colorretal da Cleveland Clinic Florida e membro do Comité de Educação para Doentes do ACS, Dra. Marylise Boutros, alerta para o facto de muitos sintomas serem desvalorizados ou atribuídos a causas benignas, atrasando o diagnóstico da doença. Para a especialista, quando estes sintomas são atribuídos a problemas benignos, como obstipação ou hemorróidas, muitas pessoas acabam por esperar que desapareçam espontaneamente. Esse atraso pode adiar o diagnóstico da doença.

Para a médica, “à medida que mais jovens são diagnosticados com cancro colorretal, reconhecer os sinais e sintomas pode salvar vidas”, razão pela qual foi criada uma lista de verificação para facilitar o diálogo entre os doentes e os médicos de cuidados primários.

Quais são então os sinais de alerta a que devemos estar atentos? Os materiais criados por esta iniciativa destacam situações como alterações persistentes dos hábitos intestinais, como diarreia ou obstipação prolongadas, fezes mais estreitas do que o habitual, sensação de evacuação incompleta e desconforto retal. A presença repetida de sangue nas fezes, alterações da sua cor para tons muito escuros ou avermelhados, perda de peso inexplicável, fadiga persistente, fraqueza ou diminuição do apetite são igualmente sintomas que não devem ser ignorados, sobretudo quando surgem pela primeira vez ou persistem ao longo do tempo.

Além de Marylise Boutros, a iniciativa contou também com a participação de outros especialistas. A cirurgiã Paula Denoya, do Stony Brook University Hospital, e James T. McCormick, professor de cirurgia na Drexel College of Medicine, contribuíram com recomendações clínicas sobre os sintomas, a importância da avaliação médica e o diagnóstico precoce.

A cirurgiã Paula Denoya, do Stony Brook University Hospital, recorda que estes sintomas podem ter causas não cancerígenas, mas sublinha que

“qualquer alteração intestinal que seja nova ou diferente para cada pessoa merece avaliação médica”.

Já James T. McCormick, acrescenta que a hemorragia é o sintoma mais frequente do cancro colorretal, embora também possa resultar de outras doenças. Ainda assim, refere que qualquer episódio repetido de sangue nas fezes deve ser investigado, podendo justificar a realização de uma colonoscopia para identificar a sua origem.

Há, no entanto, uma boa notícia. A colonoscopia continua a ser o método mais eficaz para detetar precocemente o cancro colorretal e remover pólipos antes de evoluírem para lesões malignas. Quanto mais cedo a doença for identificada, maiores são as probabilidades de sucesso do tratamento.

Marylise Boutros reforça que o cancro colorretal “é altamente tratável quando é detetado cedo” e destaca que os avanços cirúrgicos tornaram os tratamentos cada vez menos invasivos. A mensagem deixada pelos especialistas é clara: independentemente da idade, sintomas persistentes nunca devem ser desvalorizados, porque um diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença no prognóstico dos doentes.

A dimensão do problema é clara. A American Cancer Society, estima que, em 2026, cerca de 626 mil pessoas morram de cancro nos Estados Unidos, considerando todos os tipos da doença. Isto corresponde, em média, a cerca de 72 mortes por hora. Apesar dos avanços alcançados nas últimas décadas, alguns cancros, como o colorretal em adultos jovens, continuam a incitar os especialistas e reforçam a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.

Autor: Prof. Nuno Nascimento

Professor de Informática e apaixonado pelo conhecimento científico.

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