Durante anos, os astrónomos procuraram responder a duas grandes questões: existem planetas rochosos semelhantes à Terra? E conseguem conservar uma atmosfera durante milhares de milhões de anos? À primeira pergunta já tínhamos resposta. À segunda, não. Pelo menos até agora.

Agora, uma equipa internacional de astrónomos obteve a primeira evidência de que um planeta rochoso situado na zona habitável de outra estrela conserva uma atmosfera. Para isso, utilizou o espectrógrafo WINERED, instalado no telescópio Magellan Clay, no Observatório Las Campanas, no Chile. Os investigadores detetaram pela primeira vez a fuga de hélio na alta atmosfera de um planeta rochoso situado na zona habitável da sua estrela. O planeta, conhecido como LHS 1140 b, encontra-se a cerca de 48 anos-luz da Terra e orbita uma estrela anã vermelha na chamada zona habitável, a região onde podem existir condições para a presença de água líquida à superfície.

O estudo, liderado por Collin Cherubim, da Universidade de Harvard, procurou testar uma previsão teórica desenvolvida durante o seu doutoramento: se o planeta tivesse uma atmosfera, pequenas quantidades de hélio deveriam estar lentamente a escapar para o espaço e foi precisamente isso que as observações confirmaram.

Dados obtidos durante a passagem do exoplaneta LHS 1140 b em frente à sua estrela revelaram a presença de hélio na alta atmosfera. Esta foi a primeira evidência observacional de que um planeta rochoso situado na zona habitável de outra estrela conserva uma atmosfera. | Collin Cherubim et al. / Science (2026)

“Uma atmosfera é essencial para que um planeta possa suportar vida tal como a conhecemos. Esta é a primeira vez que alguém encontra uma atmosfera num planeta rochoso situado na zona habitável de outra estrela”, afirma Collin Cherubim, primeiro autor do estudo e investigador da Universidade de Harvard.

Esse hélio funciona como uma “assinatura” de que existe uma atmosfera mais extensa por baixo. Qual é a sua composição? Ainda não sabemos. Os próprios autores sugerem que poderá conter moléculas mais pesadas, como dióxido de carbono, vapor de água ou azoto, mas isso terá de ser confirmado por futuras observações.

“Gostaria agora de determinar a composição completa da atmosfera e investigar se este planeta poderá ter oceanos à superfície ou outras características associadas à habitabilidade”, acrescenta Cherubim.

Autor: Prof. Nuno Nascimento

Professor de Informática e apaixonado pelo conhecimento científico.

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