O 3I/Atlas continua a dar que falar. Desta vez, um novo estudo revela mais detalhes sobre um dos três objetos interestelares confirmados que atravessaram o sistema solar. O estudo liderado por Xin Ren da National Astronomical Observatories, da Chinese Academy of Sciences, reuniu outros 22 cientistas chineses e internacionais e baseou-se nos dados recolhidos pela sonda Tianwen-1 em outubro de 2025, quando esta se encontrava “perto” de Marte. A grande diferença desta missão foi a perspectiva: pela primeira vez, um objeto interestelar foi observado de um ponto de vista significativamente fora do seu plano orbital, o que permitiu aos cientistas analisar a dinâmica da poeira de uma forma que os telescópios terrestres não conseguem.

A bordo da sonda encontra-se a câmara de alta resolução HiRIC, que captou várias imagens da passagem do objeto a 29 milhões de quilómetros de distância, pouca coisa comparada com a imensidão do espaço. As imagens e a análise dos dados pelos cientistas permitiram estudar a coma e a cauda do cometa e relacionar as imagens com modelos de dinâmica das partículas de poeira.
Para Xin Ren e Jian-Yang Li, autores do estudo, esta observação demonstra o potencial científico da missão Tianwen-1:
“Como a primeira tentativa de observar um objeto astronómico utilizando uma sonda de exploração planetária na China, o sucesso demonstrou a capacidade e flexibilidade da sonda orbital Tianwen-1 e estabeleceu um exemplo para a exploração de naves espaciais no espaço profundo.”
Os dados obtidos revelam que o coma era dominado por grãos bastante grandes e permitiram estimar a velocidade média a que essas partículas eram ejetadas do núcleo. Estas partículas são ejetadas do núcleo a velocidades relativamente baixas, entre 3 a 10 metros por segundo. Os dados também permitiram estimar uma taxa de produção de poeira de aproximadamente 10³ kg/s durante o encontro com Marte.
Os investigadores destacam o valor das informações recolhidas sobre o comportamento do cometa:
“Os nossos dados forneceram restrições observacionais únicas sobre o tamanho das partículas de poeira do 3I, bem como sobre outras propriedades como a velocidade de expansão, morfologia e produção de poeira.”
As imagens permitiram estudar a distribuição da poeira e o comportamento da coma, mas não revelam ainda a constituição química do núcleo nem o sistema planetário onde este objeto se formou.
Como o 3I/ATLAS teve origem fora do Sistema Solar, cada nova observação representa uma oportunidade rara para estudar material formado noutro sistema planetário. Embora o cometa deva abandonar o Sistema Solar em 2030, muitas perguntas sobre a sua origem e composição permanecem sem resposta.
