Os investigadores procuraram responder a uma questão central na medicina preventiva: será que faz sentido intervir antes mesmo de surgirem sinais de doença cardíaca? Até agora, terapias como o evolocumab eram reservadas para fases mais avançadas, mas este estudo procurou analisar se uma abordagem mais precoce poderia evitar o primeiro enfarte ou AVC.

O evolocumab  é conhecido por baixar o colesterol, mas pode estar prestes a mudar a forma como prevenimos doenças cardíacas. Um novo estudo internacional mostrou que o medicamento consegue reduzir significativamente o risco de enfarte e AVC em pessoas que ainda não tiveram qualquer evento cardiovascular, algo que até agora não era prática comum.

Neste estudo científico, mais de 12 mil doentes com elevado risco incluindo pessoas com diabetes, foram acompanhados ao longo de vários anos e baseou-se no ensaio clínico VESALIUS-CV. O VESALIUS-CV é um ensaio clínico internacional de grande escala que avaliou o impacto do medicamento evolocumab na prevenção de eventos cardiovasculares. Durante 5 anos, os cientistas observaram que as pessoas que tomaram o medicamento tiveram uma redução de cerca de 31% no risco de eventos cardiovasculares graves, mesmo sem sinais evidentes de obstrução nas artérias.

Este fármaco pertence a uma classe de medicamentos chamada inibidores da PCSK9 e atuam no fígado, ajudando o organismo a remover o colesterol LDL, frequentemente designado “mau colesterol” de forma eficaz. Os resultados mostraram uma redução significativa destes níveis, diminuindo o risco de formação de placas nas artérias e sugerindo que a prevenção pode começar mais cedo do que se pensava.

Segundo o cardiologista Nicholas Marston, autor principal do estudo,

este estudo muda o paradigma, ao demonstrar que o tratamento pode ser útil antes mesmo de surgirem sinais clínicos de doença cardiovascular.

No entanto e como conclusão os investigadores reconhecem que há questões em aberto, nomeadamente sobre o custo do tratamento e a sua aplicação em populações mais jovens ou com menor risco. Apesar disso, o estudo demonstra que é benéfico atuar cada vez mais cedo para evitar doenças, em vez de apenas tratá-las depois de surgirem.

Imagem de destaque: Foto de Marek Studzinski na Unsplash

Autor: Prof. Nuno Nascimento

Professor de Informática e apaixonado pelo conhecimento científico.

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