Através do telescópio espacial James Webb Space Telescope uma equipa internacional de investigadores analisou um planeta rochoso situado a cerca de 48 anos-luz da Terra. O exoplaneta LHS 3844 b, classificado como uma “super-Terra”, revelou ser um planeta escuro, praticamente sem atmosfera e sujeito a temperaturas capazes de derreter metais. Este estudo foi liderado por investigadores do Max Planck Institute for Astronomy.

Este planeta orbita extremamente perto da sua estrela e encontra-se preso gravitacionalmente, mostrando sempre a mesma face ao astro, tal como a Lua faz com a Terra. Deste modo, existe um contraste extremo entre os dois lados do planeta: uma face permanentemente iluminada e escaldante, e outra mergulhada numa noite eterna. Segundo os investigadores, a temperatura do lado diurno é tão elevada que transforma a superfície num ambiente semelhante ao de um gigantesco Mercúrio.

Utilizando os instrumentos do James Webb, os investigadores mediram a radiação térmica emitida pela superfície do planeta LHS 3844 b, mostrando uma superfície escura composta possivelmente por rochas vulcânicas ricas em minerais como basalto. Também não foram encontrados sinais de uma atmosfera significativa, sendo um achado muito importante porque muitos modelos sugeriam que super-Terras deste tipo poderiam conservar camadas gasosas densas.

Como explicou um dos investigadores envolvidos,

estamos provavelmente a observar um planeta com uma superfície semelhante a rocha vulcânica solidificada.

A equipa considera que estas observações ajudam a compreender melhor como atmosferas planetárias podem desaparecer sob condições extremas de radiação estelar.

Os investigadores referem ainda que LHS 3844 b, por estar constantemente exposto à radiação intensa da estrela que orbita, provavelmente será um planeta árido e sem vida, sem nuvens ou oceanos. Apesar disso, o planeta tornou-se um laboratório natural importante para testar modelos sobre evolução planetária e composição de exoplanetas rochosos.

O potencial do James Webb para estudar pequenos planetas rochosos com um detalhe sem precedentes permite agora analisar diretamente a superfície de exoplanetas deste tipo, algo que há poucos anos era praticamente impossível. Com esta poderosa ferramenta, os astrónomos começam a distinguir características geológicas e térmicas de mundos situados a dezenas de anos-luz da Terra, abrindo uma nova fase na exploração de exoplanetas.

Imagem de destaque: Ilustração artística do exoplaneta LHS 3844 b e da sua estrela. Crédito: NASA, ESA, CSA e Dani Player (STScI).

Autor: Prof. Nuno Nascimento

Professor de Informática e apaixonado pelo conhecimento científico.

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