Foi construído o primeiro mapa tridimensional mais detalhado do Universo alguma vez realizado, com base num trabalho de cinco anos de observações do projecto DESI por uma equipa internacional de astrónomos. Este trabalho consistiu numa primeira fase, na análise de mais de 47 milhões de galáxias e quasares, permitindo estudar a estrutura do cosmos com uma grande precisão.

Este mapa para além de um grande feito técnico, é uma ferramenta essencial para entender um dos maiores mistérios da física moderna, a energia escura. A energia escura é invisível, representa cerca de 70% do Universo e é responsável pela expansão acelerada do cosmos, continuando sem ser conhecida a sua natureza.

Há uma evolução significativa face a levantamentos anteriores, como o projeto BOSS, que há cerca de uma década cartografou cerca de 1,2 milhões de galáxias. O DESI expande esse trabalho para dezenas de milhões de objetos, permitindo uma análise muito mais detalhada da estrutura do Universo e da influência da energia escura.

Segundo Paul Martini, cientista envolvido no instrumento DESI,

estas observações permitem perceber, como o Universo evoluiu ao longo do tempo e como a sua estrutura se foi organizando.

Com base na análise dos primeiros anos de dados do instrumento Dark Energy Spectroscopic Instrument (DESI), os investigadores começaram a observar pequenas diferenças entre as medições e as previsões do modelo cosmológico padrão. Estes resultados sugerem que a energia escura poderá não ser uma constante, como assume o modelo ΛCDM, podendo variar ao longo do tempo, embora esta hipótese ainda necessite de confirmação.

Nos próximos anos, os cientistas vão analisar estes dados com maior detalhe, na esperança de responder a uma das questões mais profundas da ciência: o que está realmente a impulsionar a expansão do Universo? O mapa agora criado poderá ser uma das chaves para essa resposta.

Imagem de destaque: Mapa tridimensional do Universo obtido pelo DESI, mostrando a distribuição de galáxias e quasares ao longo de milhares de milhões de anos-luz.
Crédito: DESI Collaboration / DOE / KPNO / NOIRLab / NSF / AURA / C. Lamman (CC BY 4.0)

Autor: Prof. Nuno Nascimento

Professor de Informática e apaixonado pelo conhecimento científico.

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