Introdução

A resistência, toxicidade e complexidade dos esquemas antirretrovirais podem dificultar a adesão de pessoas que vivem com VIH a longo prazo. O ensaio ARTISTRY‑1, liderado por Chloe Orkin, Peter J. Ruane, Malcolm Hedgcock, Cyril Gaultier, Marcelo H. Losso, Benoit Trottier e colaboradores, avaliou a eficácia e segurança de um regime simplificado em dose única diária, combinando bictegravir e lenacapavir, em pacientes com supressão viral estável. Como referem os autores:

esta combinação diária demonstra não só eficácia semelhante aos regimes múltiplos, como também pode melhorar a qualidade de vida e a adesão ao tratamento em pessoas com VIH‑1 que vivem com terapias complexas há anos.

Métodos

  • Desenho: Ensaio clínico de fase 3, aberto, randomizado e multicêntrico.
  • Participantes: 557 adultos com VIH-1, com idade média de 60 anos, em terapia antirretroviral por média de 28 anos, todos com supressão viral estável.
  • Intervenção: Substituição do regime habitual por uma pílula única diária de bictegravir (75 mg) + lenacapavir (50 mg).
  • Comparação: Continuação do tratamento antirretroviral complexo anterior.
  • Duração: 48 semanas.
  • Objetivos: Avaliar não inferioridade na supressão viral, segurança, eventos adversos e adesão ao tratamento.

Resultados

  • Supressão viral: 96 % dos participantes no grupo bictegravir‑lenacapavir mantiveram carga viral <50 cópias/mL (o vírus está “indetectável” ou muito baixo). Valores comparáveis ao grupo com tratamento complexo.
  • Resistência: Nenhuma resistência emergiu durante o ensaio.
  • Segurança: Perfis de eventos adversos semelhantes nos dois grupos e relatos de maior satisfação e melhor adesão no grupo de dose única diária.
  • Conclusão dos autores: O regime simplificado oferece eficácia equivalente, com potencial para reduzir a complexidade terapêutica e melhorar a qualidade de vida.

Conclusões

O estudo demonstra que a combinação de bictegravir e lenacapavir em dose única diária é uma opção segura, eficaz e bem tolerada para adultos com VIH já em supressão viral. A simplificação do tratamento pode aumentar a adesão a longo prazo, facilitar a gestão de comorbilidades e melhorar a qualidade de vida dos pacientes, especialmente em populações mais velhas ou com experiência prolongada em terapia antirretroviral. Este avanço representa um passo importante na optimização do tratamento do VIH, abrindo caminho para terapias ainda mais convenientes e eficazes.

Foto de Trust “Tru” Katsande na Unsplash

Autor: Prof. Nuno Nascimento

Professor de Informática e apaixonado pelo conhecimento científico.

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