Um estudo recente publicado na revista South African Journal of Science revelou a descoberta de pegadas de dinossauros com cerca de 132 milhões de anos na costa da África do Sul. A investigação, liderada por Charles W. Helm e colegas, analisou marcas fossilizadas encontradas na Formação Brenton, uma área costeira próxima de Knysna. Estas pegadas representam o registo mais recente conhecido de dinossauros no sul do continente africano.
Durante décadas, os cientistas acreditavam que a atividade vulcânica intensa ocorrida há cerca de 182 milhões de anos teria eliminado grande parte da presença de dinossauros na região. No entanto, esta descoberta vem contrariar essa ideia, demonstrando que estes animais continuaram a habitar o território muito mais tarde do que se pensava.
Os investigadores identificaram mais de duas dezenas de pegadas numa área muito limitada, com cerca de 40 metros de extensão. Segundo a equipa, este facto sugere que os dinossauros não eram raros naquela zona, mas sim relativamente comuns durante o início do período Cretácico.
Como refere Helm,
a presença de múltiplas pegadas “num espaço tão reduzido” indica uma atividade significativa destes animais.
A análise das marcas permitiu ainda sugerir que diferentes tipos de dinossauros passaram por esta região, incluindo terópodes (carnívoros), bem como possíveis ornitópodes e saurópodes (herbívoros). No entanto, os autores sublinham que identificar com precisão a espécie responsável por cada pegada continua a ser um desafio na paleontologia.
Outro aspeto relevante do estudo é o facto de estas pegadas preencherem uma lacuna importante no registo fóssil da região. Até agora, existiam poucos vestígios do período Cretácico nesta área, o que dificultava a compreensão da evolução dos ecossistemas após eventos geológicos extremos.
Como destacam os autores,
esta descoberta sugere que poderão existir muitos outros locais ainda por explorar.
Para os investigadores, este trabalho abre novas perspetivas sobre a distribuição dos dinossauros no passado e reforça a importância das zonas costeiras como arquivos naturais da história da Terra.
Como conclui a equipa,
estudar estas formações pode ajudar a revelar “novas pistas sobre a vida pré-histórica”, contribuindo para uma visão mais completa da evolução dos dinossauros.
Imagem de destaque: Pegada fossilizada de dinossauro encontrada em Portugal. Imagem ilustrativa do tipo de marcas analisadas pelos investigadores na África do Sul.
