Neste estudo científico procurou-se dar resposta aos desafios que muitas mulheres enfrentam após sobreviverem ao cancro da mama. Trata-se de um trabalho colaborativo, algo comum nesta área, sobretudo quando são utilizados métodos quantitativos e qualitativos e contou com a participação de quatro investigadoras.

A investigação foi liderada por Diana Ferreira e Ana Luísa Quinta-Gomes, em colaboração com Sonia Pieramico e Cristina Mendes-Santos, especialistas ligadas a instituições como a Universidade do Porto e a Universidade Fernando Pessoa, entre outras. Este caráter multidisciplinar reforça a consistência dos resultados apresentados. O artigo foi publicado na revista Journal of Sexual Medicine e procurou compreender de que formas são acompanhadas as necessidades das mulheres após a fase de tratamento.

Após a análise dos dados, foram identificadas duas áreas principais onde persistem lacunas: a vertente física e a vertente psicológica. Em ambas, um número significativo de mulheres refere falta de acompanhamento adequado, sobretudo em aspetos que continuam a ser pouco discutidos nas consultas médicas.

Na vertente física, as autoras referem que muitas mulheres mencionam que não recebem informação clara sobre as alterações na sexualidade após os tratamentos, nem apoio especializado para lidar com essas mudanças.

Como sublinham no estudo,

a saúde sexual permanece muitas vezes negligenciada nos cuidados oncológicos, apesar do seu impacto direto na qualidade de vida.

Já na vertente psicológica, foram identificadas dificuldades relacionadas com a autoestima e a imagem corporal, que podem conduzir a sentimentos de isolamento ou ansiedade.

Sessões de apoio psicológico são fundamentais para ajudar sobreviventes de cancro da mama a lidar com os impactos emocionais da doença. | Foto: Alex Green / Pexels

Diana Ferreira destaca que

sobreviver ao cancro não significa regressar automaticamente ao bem-estar anterior, chamando a atenção para a complexidade do processo de recuperação.

Os investigadores observaram ainda que o sistema de saúde tende a concentrar-se sobretudo na fase de diagnóstico e tratamento, deixando em segundo plano o acompanhamento a longo prazo.

Ana Luísa Quinta-Gomes refere que

é essencial integrar o apoio psicossocial e sexual como parte dos cuidados continuados, defendendo uma abordagem mais abrangente e centrada na pessoa.

Em conclusão, este trabalho levanta uma questão importante: como está a ser acompanhado o pós-cancro? À medida que o número de sobreviventes aumenta, torna-se essencial garantir que estas mulheres não ficam entregues a si próprias após o fim dos tratamentos. A qualidade de vida deve assumir um papel central na resposta dos sistemas de saúde.

Andrea Piacquadio / Pexels

Autor: Prof. Nuno Nascimento

Professor de Informática e apaixonado pelo conhecimento científico.

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