Um estudo publicado na revista Nature liderado por Jingjing Li, com Cheng Wang como primeiro autor e com a participação da investigadora Susan J. Fisher, descrevem a descoberta de um tipo de célula até agora desconhecido, presente apenas durante a gravidez. Os investigadores da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF) criaram um “Atlas celular” muito detalhado da placenta e do útero, onde analisaram mais de um milhão de células durante as várias fases da gestação.
Segundo Li, o momento da descoberta foi inesperado:
Perguntámos a outros investigadores e ninguém sabia o que eram estas células, sublinhando o carácter totalmente novo desta identificação. Estas células surgem apenas durante a gravidez e parecem desempenhar um papel crucial na ligação entre a placenta e o sistema sanguíneo da mãe.

Image credit: Nature / Wang et al., 2026
Os cientistas revelam que esta nova célula funciona como um tipo de regulador do processo de invasão das células fetais no útero. É um sistema vital que funciona de forma equilibrada para garantir o fornecimento de sangue ao feto, funcionando como um “travão biológico”. No entanto podem existir falhas nesse equilíbrio, podendo aparecer complicações como pré-eclâmpsia ou parto prematuro.
Outro aspeto inesperado foi a descoberta de que estas células possuem recetores sensíveis a canabinóides, podendo o consumo durante a gravidez estar associado a problemas no desenvolvimento fetal. Como referiu Cheng Wang, esta ligação poderá representar:
Uma base biológica para efeitos já observados em estudos populacionais.
Ao mapear detalhadamente as células envolvidas na gravidez, os cientistas acreditam que será possível compreender melhor as causas de complicações e desenvolver tratamentos mais específicos no futuro.
Como afirmou Susan J. Fisher, a análise destes tecidos, célula a célula permite:
Perceber não só o desenvolvimento normal, mas também o que pode correr mal.
